Para os administradores de operadoras de planos de saúde, as manhãs de Segundas-feiras, e a semana que se inicia, trás consigo um fenômeno que resolvi batizar de “A Síndrome do Fantástico”. Explico: aos Domingos, quando os famosos locutores do programa dominical, da emissora de televisão líder em audiência, anunciam com a inconfundível voz grave, “a mais nova descoberta da ciência”, ou “o achado espetacular de renomados pesquisadores americanos”, ou ainda o “fenomenal exame”, que consegue detectar quaisquer doenças precocemente com a análise de um fio de cabelo, ou de uma gota de saliva, acontece um certo frenesi entre a população em geral, independentemente de nível sócio-cultural, para experimentar a novidade anunciada, com toda a autoridade do anunciante.
O reflexo é notório: enchem-se os consultórios médicos, a procura do tratamento anunciado na reportagem apresentada na véspera.
Os prestadores de serviço da área de saúde também mantêm suas salas de espera repleta de usuários ávidos em fazer o “novo exame...”.
Agrava-se o incidente, quando certas revistas semanais resolvem colocar na capa, matérias de conteúdo similar.
O apelo da saúde, ou da “vida humana” , como gostam de evidenciar os meios de comunicação, é sem sombra de dúvidas, um chamariz que incentiva a curiosidade de qualquer um, engrossa a audiência e aumenta a venda de jornais e revistas. Em verdade nós brasileiros, temos uma certa queda para a hipocondria...
Não é necessário sequer lançar mão de chamadas sensacionalistas, se bem que alguns veículos de comunicações, abusam deste expediente.
Algumas considerações, entretanto, julgo pertinente realizar: as inovações tecnológicas na área da saúde, evidentemente trazem benefícios para a população. Não se pode ser contra os avanços da ciência, mas devemos questionar, em especial, a relação custo-benefício. Ou seja, qual o benefício efetivo que irá ser agregado à saúde da comunidade. E também quem irá pagar esta conta. Afinal, saúde não tem preço, mas doença, sim.
Corremos o risco de em não havendo questionamento, ficarmos refém de uma suposta melhoria à saúde das pessoas, por vezes patrocinada pela indústria de produtos e serviços médico-hospitalares, ou por uma correria desenfreada, fruto de uma competição gerada artificialmente, visando ocupar um destaque entre os prestadores de serviço da área de saúde, de “primeiro mundo”, em um ambiente cuja demanda já está saturada pelos produtos e serviços oferecidos, e que não tem capacidade a curto ou médio prazo de absorver o que lhe é oferecido, seja por falta de demanda ou por incapacidade de pagamento.
Não se trata de fazer apologia conservadora, mas uma reflexão crítica da real necessidade e resolutividade das chamadas “novas tecnologias”. Será que vale a pena? Qual o limite para o uso racional dessas tecnologias? Quem efetivamente está se beneficiando destes procedimentos?
Convido o leitor a absorver essas informações que nos chegam, de forma criteriosa, com “visão de helicóptero”, para que se possa enxergar não somente a árvore que está a nossa frente, mas a floresta inteira, caso contrário, poderemos contrair a “Síndrome do Fantástico”.
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