quarta-feira, 30 de março de 2011

Céu e Inferno

Não sou exatamente a pessoa mais indicada para falar sobre Céu e Inferno, apesar de ter estudado bons anos em escola jesuíta, o Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, e possuir religiosos na família.

A verdade creio eu, estórias sobre este tema são sempre recheados de ensinamentos que podemos aproveitar para o nosso cotidiano, em especial nas organizações, e nas universidades, ambientes aonde atuo profissionalmente.

Desde tempos imemoriais o ser humano busca respostas, ou certezas sobre estes dois lugares: Céu e Inferno. Será que existem? E se existem são como dizem uns e outros? Será que o Céu é a terra prometida onde jorra o leite e o mel? E o inferno será o lugar em que se ouve choro e ranger de dentes eternamente? Não, eu definitivamente não tenho mais uma vez a resposta!

Gosto muito do uso de metáforas para tentar explicar as coisas, principalmente quando são muito abstratas ou complexas como parece ser o caso. Nas organizações, o mestre Garreth Morgan, em seu livro Imagens da Organização, é extremamente feliz em comparar através de metáforas, o nosso entendimento sobre o que se passa dentro das empresas. Através de suas descrições conseguimos identificar os comportamentos e atitudes de nosso cotidiano organizacional.

Conheço duas metáforas sobre o tema, que julgo de grande valia, e de extrema simplicidade, que, aliás, acontece com toda boa metáfora. A primeira está no livro do Prof. Daniel Goleman, Inteligência Emocional, a segunda ouvi do Jornalista Gilberto Dimenstein, em palestra realizada em Cuiabá, durante evento sobre Responsabilidade Social, no XII SUECO, Simpósio das Unimed’s do Centro Oeste e Tocantins, acontecido em Outubro passado. São elas:

Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de Céu e Inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:

- Não passas de um grosseiro... Não vou desperdiçar o meu tempo com gente da tua laia.

Atacado na própria honra o samurai teve um aceso de fúria, e sacando a espada da bainha berrou:

- Eu poderia te matar por tua impertinência.

- Isso - respondeu calmamente o monge - é o inferno.

Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo o monge a revelação.

-E isso – disse o monge – é o Céu.

A outra, também é uma lenda, só que da história Judaica:

Certa feita, um homem ganhou o direito de conhecer o Céu e o Inferno, e transmitir aos demais o que conhecera.Passou lá alguns momentos e na volta relatou aos demais, que estavam ansiosos para saber a descrição dos locais. Contou então o bom homem o que vira:

- O Inferno é um lugar maravilhoso com uma imensa mesa cumprida, farta, cheia de comida as mais variadas possíveis, doces e frutas, pães e mel.E todas as pessoas sentadas em volta da mesa, morrendo de fome e não conseguem comer!

- Mas como?!– Exclamou a audiência espantada!

- Este é o problema do Inferno. O diabo usou um truque, e colocou as mãos de todas as pessoas viradas para trás, em direção ao cotovelo, de sorte que todas as vezes que elas se serviam a comida caía no chão, e não conseguiam comer, apesar da fartura da mesa.

- E o Céu, então como é?

- Pois o Céu é exatamente igual ao Inferno: a mesma mesa e a mesma fartura. A diferença é que lá uns alimentam os outros. Os que estão na frente servem os de trás e assim todos se alimentam.

Como podemos notar, as lições nos falam de humildade e solidariedade. Talvez a relação entre estas qualidades e a falta delas, estejam relacionadas com Céu e Inferno.

A Terceira onda em Matogrosso

No século passado, falava-se que a América era a terra das oportunidades e que o Oeste Americano, seria o ícone mais representativo desta expressão, tão bem retratado nos filmes de Bang-Bang, que todos nós assistimos.

Ao traduzirmos este sentimento para a nossa realidade, nada mais fiel do que o nosso Mato- Grosso.

Em um primeiro momento vivenciando o ciclo de metais preciosos e a busca de mão de obra: eram os primeiros Bandeirantes, desbravando e colonizando tal qual os pioneiros realizaram nos Estados Unidos. Em seguida, motivados pelo chamado milagre econômico, aporta em nosso Estado uma segunda leva de Brasileiros em especial do sul do País, que realizam uma verdadeira revolução silenciosa na agricultura e pecuária, propiciando um progresso jamais experimentado em nosso País.

O terceiro movimento, e há uma inevitável comparação com Alvin Toffler e as suas três ondas: Agricultura, Industrial e Tecnológica, representa para Mato Grosso a consolidação do avanço e uma ampliação da oferta deste progresso: o setor de serviços passa a desempenhar um papel fundamental neste crescimento e oferecer melhor qualidade de vida aos que aqui vivem. Assim acontece na área de turismo, com novas e melhores opções, novos hotéis, infra-estrutura de qualidade, e mão-de-obra em formação, bons restaurantes, centro de eventos capacitados, sinalização urbana adequada, e outros benefícios mais.

Na área cultural e de entretenimento, também visualizamos uma mudança significativa, com a participação dos produtores culturais ampliando a oferta de produtos com qualidade, tanto em artes plásticas, quanto em artes visuais.

O mesmo acontece na área de prestação de serviços, com igual velocidade. Contamos com empresas locais, de nível e padrão comparados ao de grandes centros. Temos entre nós organizações vencedoras e muito bem posicionadas nos rankings das melhores e maiores empresas da região, bem como nas melhores organizações para se trabalhar.

Nos parece que o nosso Estado descobriu que investir no capital intelectual é tão ou mais rentável que investir em soja ou algodão.

Definitivamente, estamos aptos para surfar nesta terceira onda, de Alvin Toffler.

Empreender em Mato-Grosso é ter a certeza de estar no lugar certo, e na hora certa.

É saber que o bom profissional terá acolhida, venha de onde vier, assim como foi com o Carioca, que assina esta nota.

Clique neste excelente artigo de Fishlow, publicado na Folha em 2009, e entenda um pouco mais dos sistema de saúde americano.

A Síndrome do Fantástico

Apesar de antigo, creio que este texto não esteja datado...Vamos lá

Para os administradores de operadoras de planos de saúde, as manhãs de Segundas-feiras, e a semana que se inicia, trás consigo um fenômeno que resolvi batizar de “A Síndrome do Fantástico”. Explico: aos Domingos, quando os famosos locutores do programa dominical, da emissora de televisão líder em audiência, anunciam com a inconfundível voz grave, “a mais nova descoberta da ciência”, ou “o achado espetacular de renomados pesquisadores americanos”, ou ainda o “fenomenal exame”, que consegue detectar quaisquer doenças precocemente com a análise de um fio de cabelo, ou de uma gota de saliva, acontece um certo frenesi entre a população em geral, independentemente de nível sócio-cultural, para experimentar a novidade anunciada, com toda a autoridade do anunciante.

O reflexo é notório: enchem-se os consultórios médicos, a procura do tratamento anunciado na reportagem apresentada na véspera.

Os prestadores de serviço da área de saúde também mantêm suas salas de espera repleta de usuários ávidos em fazer o “novo exame...”.

Agrava-se o incidente, quando certas revistas semanais resolvem colocar na capa, matérias de conteúdo similar.

O apelo da saúde, ou da “vida humana” , como gostam de evidenciar os meios de comunicação, é sem sombra de dúvidas, um chamariz que incentiva a curiosidade de qualquer um, engrossa a audiência e aumenta a venda de jornais e revistas. Em verdade nós brasileiros, temos uma certa queda para a hipocondria...

Não é necessário sequer lançar mão de chamadas sensacionalistas, se bem que alguns veículos de comunicações, abusam deste expediente.

Algumas considerações, entretanto, julgo pertinente realizar: as inovações tecnológicas na área da saúde, evidentemente trazem benefícios para a população. Não se pode ser contra os avanços da ciência, mas devemos questionar, em especial, a relação custo-benefício. Ou seja, qual o benefício efetivo que irá ser agregado à saúde da comunidade. E também quem irá pagar esta conta. Afinal, saúde não tem preço, mas doença, sim.

Corremos o risco de em não havendo questionamento, ficarmos refém de uma suposta melhoria à saúde das pessoas, por vezes patrocinada pela indústria de produtos e serviços médico-hospitalares, ou por uma correria desenfreada, fruto de uma competição gerada artificialmente, visando ocupar um destaque entre os prestadores de serviço da área de saúde, de “primeiro mundo”, em um ambiente cuja demanda já está saturada pelos produtos e serviços oferecidos, e que não tem capacidade a curto ou médio prazo de absorver o que lhe é oferecido, seja por falta de demanda ou por incapacidade de pagamento.

Não se trata de fazer apologia conservadora, mas uma reflexão crítica da real necessidade e resolutividade das chamadas “novas tecnologias”. Será que vale a pena? Qual o limite para o uso racional dessas tecnologias? Quem efetivamente está se beneficiando destes procedimentos?

Convido o leitor a absorver essas informações que nos chegam, de forma criteriosa, com “visão de helicóptero”, para que se possa enxergar não somente a árvore que está a nossa frente, mas a floresta inteira, caso contrário, poderemos contrair a “Síndrome do Fantástico”.

terça-feira, 29 de março de 2011

I Semana de Administração UNIR

Ano Sabático

Ano Sabático

Sabático é o afastamento do trabalho inspirado por uma motivação íntima. Seu objetivo é a reavaliação da vida pessoal ou profissional. Não importa a duração, se é de meses ou anos, ou o formato. Pode ser uma viagem turística, um curso no exterior, trabalho voluntário, reclusão em casa. O que caracteriza um período sabático é o afastamento da rotina para rever rumos. O termo vem do hebraico shabbath, e significa repouso. É o dia de recolhimento semanal dos judeus. No Antigo Testamento há referência ao ano sabático: um ano, a cada seis, em que a terra fica sem cultivo para depois iniciar um novo ciclo de fertilidade.

Nas universidades americanas o sabático já é secular. Professores ou funcionários graduados que trabalhem seis anos seguidos na mesma escola adquirem o direito de se afastar por um ano para cuidar da própria reciclagem, em geral atrelada ao estudo obrigatório de algum tema.( Herbert Steinberg )

O mesmo significado tem para a antroposofia, como bem lembrou a amiga Iracema Irigaray. O momento não é por acaso: sétimo setênio de vida, e após isto o jubileu.

Assim então iniciei o meu período sabático, cuja duração deverá ser de pelo menos um ano, cursando os créditos do doutorado em administração na UNINOVE.

Para quem estava acostumado a nos últimos 10 anos a trabalhar em dois lugares ao mesmo tempo, isto é, com as noites tomadas por lecionar, esta "freiada de arrumação", parece no mínimo estranha! Acho que preciso fazer um "detox" de trabalho.... Em especial da Tsunami dos últimos oito meses!

Mas só o fato de estar em São Paulo, já assume ares culturais interessantes. Vamos ver para crer!