Não sou exatamente a pessoa mais indicada para falar sobre Céu e Inferno, apesar de ter estudado bons anos em escola jesuíta, o Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, e possuir religiosos na família.
A verdade creio eu, estórias sobre este tema são sempre recheados de ensinamentos que podemos aproveitar para o nosso cotidiano, em especial nas organizações, e nas universidades, ambientes aonde atuo profissionalmente.
Desde tempos imemoriais o ser humano busca respostas, ou certezas sobre estes dois lugares: Céu e Inferno. Será que existem? E se existem são como dizem uns e outros? Será que o Céu é a terra prometida onde jorra o leite e o mel? E o inferno será o lugar em que se ouve choro e ranger de dentes eternamente? Não, eu definitivamente não tenho mais uma vez a resposta!
Gosto muito do uso de metáforas para tentar explicar as coisas, principalmente quando são muito abstratas ou complexas como parece ser o caso. Nas organizações, o mestre Garreth Morgan, em seu livro Imagens da Organização, é extremamente feliz em comparar através de metáforas, o nosso entendimento sobre o que se passa dentro das empresas. Através de suas descrições conseguimos identificar os comportamentos e atitudes de nosso cotidiano organizacional.
Conheço duas metáforas sobre o tema, que julgo de grande valia, e de extrema simplicidade, que, aliás, acontece com toda boa metáfora. A primeira está no livro do Prof. Daniel Goleman, Inteligência Emocional, a segunda ouvi do Jornalista Gilberto Dimenstein, em palestra realizada em Cuiabá, durante evento sobre Responsabilidade Social, no XII SUECO, Simpósio das Unimed’s do Centro Oeste e Tocantins, acontecido em Outubro passado. São elas:
Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de Céu e Inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um grosseiro... Não vou desperdiçar o meu tempo com gente da tua laia.
Atacado na própria honra o samurai teve um aceso de fúria, e sacando a espada da bainha berrou:
- Eu poderia te matar por tua impertinência.
- Isso - respondeu calmamente o monge - é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo o monge a revelação.
-E isso – disse o monge – é o Céu.
A outra, também é uma lenda, só que da história Judaica:
Certa feita, um homem ganhou o direito de conhecer o Céu e o Inferno, e transmitir aos demais o que conhecera.Passou lá alguns momentos e na volta relatou aos demais, que estavam ansiosos para saber a descrição dos locais. Contou então o bom homem o que vira:
- O Inferno é um lugar maravilhoso com uma imensa mesa cumprida, farta, cheia de comida as mais variadas possíveis, doces e frutas, pães e mel.E todas as pessoas sentadas em volta da mesa, morrendo de fome e não conseguem comer!
- Mas como?!– Exclamou a audiência espantada!
- Este é o problema do Inferno. O diabo usou um truque, e colocou as mãos de todas as pessoas viradas para trás, em direção ao cotovelo, de sorte que todas as vezes que elas se serviam a comida caía no chão, e não conseguiam comer, apesar da fartura da mesa.
- E o Céu, então como é?
- Pois o Céu é exatamente igual ao Inferno: a mesma mesa e a mesma fartura. A diferença é que lá uns alimentam os outros. Os que estão na frente servem os de trás e assim todos se alimentam.
Como podemos notar, as lições nos falam de humildade e solidariedade. Talvez a relação entre estas qualidades e a falta delas, estejam relacionadas com Céu e Inferno.
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